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Cirurgia Oral
9 min de leitura
24 de setembro de 2026

Perdi um dente. Preciso colocar um implante imediatamente?

O implante imediato permite instalar o implante no mesmo dia da extração — mas nem todo caso permite isso. Entenda o que é avaliado antes da cirurgia e quando esperar é a melhor estratégia.

TG

Dr. Tiago Goulart

Cirurgião Bucomaxilofacial

Perdi um dente. Preciso colocar um implante imediatamente?

Quando um dente precisa ser extraído, uma das primeiras dúvidas que surgem é: "Posso colocar o implante no mesmo dia?"

Em alguns casos, sim.

O chamado implante imediato permite que o implante seja instalado no mesmo procedimento em que o dente é removido. Essa possibilidade pode reduzir o número de cirurgias e, em situações bem selecionadas, tornar o tratamento mais rápido e previsível.

Mas existe um ponto importante: nem todo dente que precisa ser extraído pode receber um implante imediatamente.

A indicação depende de uma avaliação cuidadosa da quantidade e qualidade do osso, das condições da gengiva, da presença de infecção, da estabilidade que o implante poderá alcançar e de outros fatores individuais.

Por isso, o melhor momento para colocar um implante não é definido apenas pelo fato de o dente ter sido perdido. Ele é definido pelo planejamento do caso.

O que é um implante imediato?

O implante dentário é um dispositivo, geralmente confeccionado em titânio, instalado no osso para substituir a raiz de um dente perdido.

Depois de um período de cicatrização e integração ao osso, o implante pode receber uma prótese que substituirá a parte visível do dente.

No implante convencional, normalmente existe um intervalo entre a extração do dente e a instalação do implante.

No implante imediato, a instalação acontece no mesmo procedimento da extração.

Isso pode ser uma alternativa interessante porque aproveita o momento em que o dente está sendo removido para realizar também a instalação do implante.

Mas isso não significa que seja sempre a melhor opção.

Por que nem sempre é possível colocar o implante no mesmo dia?

Depois que um dente é removido, o implante precisa encontrar condições adequadas para ser estabilizado dentro do osso.

Se existe uma perda óssea muito importante, por exemplo, pode não haver estrutura suficiente para proporcionar a estabilidade necessária.

Além disso, alguns quadros infecciosos, alterações nos tecidos gengivais ou características anatômicas específicas podem modificar o planejamento.

Por isso, antes de indicar um implante imediato, é necessário avaliar cuidadosamente a região.

A pergunta não deve ser apenas:

"É possível colocar o implante hoje?"

Mas sim:

"Qual estratégia oferece a melhor condição para um resultado previsível e estável?"

O que é avaliado antes da cirurgia?

A avaliação começa pela consulta clínica.

São analisados o dente que será removido, os tecidos gengivais, o volume ósseo disponível, a condição dos dentes vizinhos e a relação da região com estruturas anatômicas importantes.

Exames de imagem também são fundamentais.

Em muitos casos, a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) permite avaliar tridimensionalmente a quantidade e a distribuição do osso disponível.

Isso ajuda a identificar estruturas anatômicas importantes e a planejar a posição do implante.

Dependendo do caso, também podem ser utilizados escaneamentos intraorais, fotografias e planejamento digital.

A presença de infecção impede o implante imediato?

Não existe uma resposta única para todos os casos.

A presença de uma infecção na região precisa ser analisada de acordo com sua extensão, origem e condições locais.

Existem situações em que o implante imediato pode ser considerado mesmo diante de determinadas condições infecciosas, desde que seja possível realizar um adequado controle do processo e obter condições apropriadas para a instalação.

Em outros casos, principalmente quando as condições locais não são favoráveis, pode ser mais seguro realizar a extração, tratar a região e aguardar a cicatrização antes de instalar o implante.

Por isso, a presença de infecção não deve ser analisada isoladamente.

E quando não existe osso suficiente?

Essa é uma das situações mais importantes no planejamento.

Quando o volume ósseo é insuficiente para instalar o implante na posição adequada, pode ser necessário realizar um enxerto ósseo.

O enxerto pode ter diferentes objetivos, dependendo da região e do tipo de defeito existente.

Em alguns pacientes, é possível realizar a instalação do implante associada ao enxerto no mesmo procedimento.

Em outros, é necessário primeiro reconstruir o volume ósseo e aguardar a cicatrização para, posteriormente, instalar o implante.

A decisão depende da quantidade de osso disponível e das características do defeito.

Por que a posição do implante é tão importante?

Um implante não deve ser colocado simplesmente onde existe osso.

Ele precisa ser planejado considerando a futura posição da prótese.

Isso é especialmente importante em regiões estéticas, como os dentes anteriores superiores.

A posição tridimensional do implante influencia a estética da gengiva, o contorno dos tecidos e a posição da futura coroa.

Por isso, o planejamento deve considerar simultaneamente:

  • posição do implante;
  • volume e qualidade óssea;
  • gengiva e tecidos moles;
  • dentes vizinhos;
  • mordida;
  • posição da futura prótese;
  • e características estéticas do sorriso.

O objetivo é que o implante não seja apenas integrado ao osso, mas que também permita a confecção de uma prótese funcional e esteticamente adequada.

Posso sair do consultório com um dente no mesmo dia?

Em alguns casos, sim.

Mas é importante diferenciar implante imediato de carga imediata.

O implante imediato significa que o implante foi instalado no mesmo momento da extração.

A carga imediata, por outro lado, significa que uma prótese é instalada sobre o implante em um período muito curto, podendo ocorrer no mesmo dia em situações selecionadas.

São conceitos diferentes.

Nem todo implante colocado imediatamente poderá receber uma prótese imediatamente.

Para realizar carga imediata, é necessário que existam condições adequadas, especialmente em relação à estabilidade inicial do implante e ao planejamento protético.

Em determinados casos, o paciente pode sair da cirurgia com uma prótese provisória. Em outros, será necessário aguardar o período de cicatrização antes de instalar a prótese definitiva.

Quanto tempo demora para o implante "pegar"?

O implante precisa passar por um processo chamado osseointegração, no qual ocorre uma integração entre a superfície do implante e o tecido ósseo.

O tempo necessário varia de acordo com a região, o tipo de procedimento, as condições ósseas e outros fatores individuais.

Por isso, não existe um período único que possa ser aplicado a todos os pacientes.

Durante o acompanhamento, o cirurgião avalia a evolução da região e determina o momento adequado para avançar para a etapa protética.

E se eu precisar esperar para colocar o implante?

Esperar não significa que o tratamento deu errado.

Em determinadas situações, aguardar a cicatrização é justamente a estratégia mais adequada.

Isso pode acontecer quando existe uma perda óssea significativa, necessidade de enxerto, alteração dos tecidos gengivais ou alguma condição que torne a instalação imediata menos previsível.

O tratamento pode então seguir uma sequência como:

extração → preservação ou reconstrução do alvéolo → cicatrização → instalação do implante → osseointegração → prótese.

O tempo total é maior, mas cada etapa tem uma finalidade.

O que é preservação do alvéolo?

Após a extração de um dente, o osso que sustentava aquela raiz passa por um processo natural de remodelação.

Em determinadas situações, pode ser indicado realizar procedimentos de preservação do alvéolo no momento da extração, utilizando materiais apropriados para ajudar a manter o volume ósseo da região.

Isso pode ser particularmente importante quando a instalação do implante não será realizada imediatamente.

A preservação do alvéolo não significa que o implante futuro esteja garantido, mas pode contribuir para manter melhores condições para a reconstrução e o planejamento posterior.

O implante imediato é sempre melhor?

Não existe uma resposta que sirva para todos os pacientes.

O implante imediato pode apresentar vantagens em casos adequadamente selecionados, como a possibilidade de reduzir etapas cirúrgicas e aproveitar o momento da extração para realizar a instalação.

Por outro lado, quando as condições locais não são favoráveis, tentar realizar o procedimento imediatamente pode não ser a melhor estratégia.

Em implantodontia, mais rápido não significa necessariamente melhor.

O objetivo deve ser encontrar o momento e a técnica mais adequados para cada situação.

O que acontece depois da instalação?

Após a cirurgia, começa o período de recuperação.

É esperado que exista algum grau de desconforto, edema e sensibilidade na região nos primeiros dias.

A intensidade varia de acordo com o procedimento realizado e com as características individuais do paciente.

Durante essa fase, é fundamental seguir as orientações da equipe, principalmente em relação a:

  • higiene oral;
  • alimentação;
  • medicamentos prescritos;
  • cuidados com a região operada;
  • atividade física;
  • e retornos para acompanhamento.

A região também deve ser protegida de forças excessivas durante o período de integração do implante.

E depois que o implante está integrado?

Após a osseointegração e a confirmação de que o implante apresenta condições adequadas, inicia-se ou continua-se a etapa protética.

O dentista responsável pela reabilitação confeccionará a prótese que ficará conectada ao implante.

O objetivo é devolver não apenas a aparência do dente perdido, mas também sua função mastigatória e a integração com os dentes vizinhos.

O tratamento, portanto, envolve uma sequência de etapas que precisam funcionar em conjunto.

Perdi um dente. Preciso decidir imediatamente?

Não necessariamente.

Uma das principais mensagens que o paciente deve entender é que a perda de um dente precisa ser planejada, mas nem sempre significa que o implante deve ser colocado imediatamente.

Em alguns casos, a melhor estratégia é instalar o implante no mesmo momento da extração.

Em outros, preservar ou reconstruir o osso e aguardar a cicatrização oferece melhores condições para o tratamento.

O importante é evitar decisões baseadas apenas na pressa.

O melhor implante é aquele que foi bem planejado

O sucesso de um tratamento com implantes não depende apenas do implante utilizado.

Ele depende de uma sequência de decisões: diagnóstico, planejamento, cirurgia, condições ósseas e gengivais, posicionamento tridimensional, prótese e acompanhamento.

Por isso, quando um dente precisa ser removido, o ideal é que o planejamento para sua substituição seja pensado antes da extração sempre que possível.

Dessa forma, é possível avaliar antecipadamente se o caso permite um implante imediato, se será necessário algum procedimento de preservação ou reconstrução óssea ou se é mais indicado aguardar a cicatrização.

Perdeu um dente? O primeiro passo é avaliar as possibilidades

Se você precisa extrair um dente ou já perdeu um elemento dentário, uma avaliação individualizada permite entender quais opções estão disponíveis e qual sequência de tratamento é mais adequada para o seu caso.

Implante imediato, implante tardio, preservação do alvéolo, enxerto ósseo e carga imediata são estratégias diferentes — e a escolha depende das condições de cada paciente.

O objetivo não é simplesmente colocar um implante o mais rápido possível.

É planejar a substituição do dente de maneira adequada, buscando função, estabilidade, saúde dos tecidos e um resultado estético natural.

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Dr. Tiago Goulart

Cirurgião Bucomaxilofacial

Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial. Atendimento baseado em evidências científicas, com foco na saúde e qualidade de vida de cada paciente.

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