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Cirurgia Ortognática
10 min de leitura
24 de setembro de 2026

O dia da cirurgia: anestesia, duração e o que acontece durante o procedimento

Como é a anestesia, quanto tempo dura, se dói, quando é possível comer e quanto tempo é a internação: entenda o que acontece no dia da cirurgia ortognática, da chegada ao hospital até as primeiras semanas de recuperação.

TG

Dr. Tiago Goulart

Cirurgião Bucomaxilofacial

O dia da cirurgia: anestesia, duração e o que acontece durante o procedimento

Depois de meses de avaliação, preparação ortodôntica e planejamento, chega finalmente o dia da cirurgia ortognática.

Para muitos pacientes, essa é uma das etapas que mais gera ansiedade. É comum surgirem dúvidas: Como é a anestesia? Vou sentir dor? Quanto tempo vou ficar no centro cirúrgico? Vou acordar com a boca amarrada? Quando poderei comer? Quanto tempo ficarei internado?

Entender o que acontece durante esse período ajuda a tornar o processo mais previsível e tranquilo.

A chegada ao hospital

Normalmente, o paciente chega ao hospital algumas horas antes do horário programado para a cirurgia, seguindo as orientações previamente fornecidas pela equipe.

Nesse momento são realizados os procedimentos de admissão hospitalar e a conferência das informações necessárias para a cirurgia.

A equipe também verifica os exames, medicamentos em uso, histórico clínico e demais informações relevantes para a segurança do procedimento.

Antes da cirurgia, o paciente é avaliado pela equipe responsável e pelo médico anestesiologista.

Esse momento é importante para revisar as condições clínicas, confirmar o planejamento anestésico e esclarecer eventuais dúvidas.

A cirurgia é realizada com anestesia geral

A cirurgia ortognática é realizada sob anestesia geral.

O médico anestesiologista acompanha o paciente durante todo o procedimento, monitorando continuamente parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial, oxigenação e outros dados necessários para a condução segura da anestesia.

Após a indução anestésica, o paciente permanece dormindo durante todo o procedimento e não sente dor ou percebe a realização da cirurgia.

A anestesia também permite que o cirurgião trabalhe com precisão e segurança durante todo o procedimento.

O que é feito durante a cirurgia?

A cirurgia ortognática é planejada previamente de acordo com as características de cada paciente.

Dependendo do diagnóstico, pode ser necessário realizar movimentos na maxila, na mandíbula ou nas duas estruturas.

O planejamento determina, entre outros aspectos, a direção e a quantidade de movimentação óssea necessária para corrigir a discrepância existente.

Na maxila, por exemplo, podem ser realizados movimentos para frente, para trás, para cima ou para baixo, além de correções relacionadas à posição e à simetria.

Na mandíbula, também podem ser realizados movimentos para corrigir alterações anteroposteriores, verticais ou assimetrias.

Em alguns pacientes, outros procedimentos podem ser associados, dependendo das necessidades identificadas no planejamento.

A cirurgia deixa cicatriz no rosto?

Na cirurgia ortognática, os principais acessos cirúrgicos são realizados dentro da boca.

Isso significa que, na maioria dos casos, não há necessidade de realizar grandes incisões externas no rosto.

Após a realização dos cortes ósseos planejados, os segmentos são reposicionados e estabilizados com sistemas de fixação, normalmente compostos por pequenas placas e parafusos.

Esses materiais permanecem no local para manter os segmentos ósseos estáveis durante o processo de consolidação.

Como o cirurgião sabe exatamente onde posicionar os ossos?

Esse é um dos motivos pelos quais o planejamento pré-operatório é tão importante.

Antes da cirurgia, são analisados exames de imagem, fotografias, modelos ou escaneamentos digitais e informações relacionadas à mordida e às proporções faciais.

A partir desses dados, é desenvolvido um planejamento individualizado.

Em muitos casos, também é utilizado planejamento virtual tridimensional, que permite simular os movimentos ósseos antes do procedimento.

O objetivo é transformar o planejamento realizado previamente em uma execução cirúrgica precisa, respeitando as características anatômicas de cada paciente.

Quanto tempo dura uma cirurgia ortognática?

Essa é uma das perguntas mais frequentes, mas não existe um tempo único para todas as cirurgias ortognáticas.

A duração depende de vários fatores, principalmente:

  • quais estruturas serão operadas;
  • se será realizada cirurgia apenas da maxila, apenas da mandíbula ou de ambas;
  • complexidade da deformidade;
  • presença de assimetrias;
  • procedimentos associados;
  • características anatômicas individuais;
  • e particularidades do próprio procedimento.

Por isso, o tempo pode variar consideravelmente entre pacientes.

Uma cirurgia bimaxilar, por exemplo, naturalmente envolve uma abordagem diferente de uma cirurgia realizada em apenas uma das bases ósseas.

Durante a consulta e o planejamento, o paciente recebe uma estimativa compatível com o seu caso.

O paciente acorda com a boca amarrada?

Essa é uma preocupação bastante comum.

Atualmente, não se deve imaginar a recuperação da cirurgia ortognática como aquela situação em que o paciente permanece necessariamente com a boca completamente fechada por fios.

A forma de conduzir o pós-operatório depende do procedimento realizado, da estabilidade obtida durante a cirurgia e da avaliação da equipe.

Em determinados casos, podem ser utilizados elásticos ortodônticos para orientar e auxiliar na manutenção da relação entre as arcadas.

Esses elásticos podem fazer parte do tratamento durante o período inicial de recuperação, mas isso não significa que o paciente ficará permanentemente impossibilitado de abrir a boca.

O que acontece quando a cirurgia termina?

Ao final da cirurgia, o paciente é encaminhado para a recuperação pós-anestésica.

Nesse período, permanece sob observação da equipe enquanto ocorre a recuperação da anestesia.

Após estar clinicamente estável e de acordo com os critérios da equipe hospitalar, o paciente é encaminhado para o quarto ou para o local de internação definido para o seu caso.

É comum que, nas primeiras horas, exista sonolência relacionada à anestesia, além de inchaço progressivo na face.

Também pode haver dificuldade para falar, abrir a boca e se alimentar normalmente.

Essas manifestações são esperadas no período inicial e são acompanhadas pela equipe.

Vou sentir dor quando acordar?

A percepção de dor varia entre os pacientes.

Entretanto, o controle da dor começa ainda durante o período hospitalar, com medicamentos prescritos e administrados de acordo com a avaliação da equipe.

Além da dor, o edema é uma das principais características do pós-operatório imediato.

É importante diferenciar dor de desconforto. Sensação de pressão, dificuldade para abrir a boca, alterações temporárias na sensibilidade e sensação de tensão nos tecidos podem ocorrer durante a recuperação.

A equipe orienta o paciente sobre os medicamentos, alimentação, higiene e demais cuidados necessários.

O rosto fica muito inchado?

O edema é esperado após a cirurgia ortognática.

Nos primeiros dias, o inchaço tende a ser mais evidente e depois começa gradualmente a diminuir.

A intensidade varia de acordo com o tipo de cirurgia, a extensão do procedimento e as características individuais do paciente.

Por isso, não é adequado avaliar o resultado estético da cirurgia nos primeiros dias.

O rosto passa por um processo progressivo de recuperação, e o edema pode mascarar temporariamente o contorno facial planejado.

Quando o paciente pode voltar a comer?

A alimentação começa de acordo com as orientações da equipe e com as características da cirurgia realizada.

No início, geralmente é necessário adotar uma alimentação com consistência modificada, que permita a ingestão adequada de nutrientes sem exigir esforço excessivo da musculatura mastigatória ou dos segmentos operados.

A dieta vai sendo modificada progressivamente conforme a evolução da recuperação.

Essa etapa é particularmente importante porque o organismo precisa de energia, proteínas, vitaminas e minerais para o processo de cicatrização.

Por isso, o acompanhamento nutricional pode ser útil em determinados casos.

E a higiene da boca?

A higiene oral também merece atenção especial.

Como a cirurgia é realizada principalmente através de acessos intraorais, o paciente precisa receber orientações específicas sobre como higienizar a boca durante o período de recuperação.

A técnica e os produtos utilizados devem seguir a orientação da equipe responsável.

Mesmo com as limitações temporárias para abrir a boca, manter uma boa higiene é importante para reduzir o acúmulo de placa e contribuir para uma recuperação adequada.

Quanto tempo o paciente fica internado?

O período de internação não é exatamente igual para todos os pacientes.

Ele depende do tipo de cirurgia realizada, da evolução clínica e dos critérios estabelecidos pela equipe e pelo hospital.

Antes da alta, é necessário que o paciente esteja em condições clínicas adequadas e tenha recebido todas as orientações necessárias para continuar a recuperação em casa.

O paciente também deve sair sabendo quais medicamentos utilizar, como realizar a higiene, qual dieta seguir, quais atividades evitar e quando deverá retornar para acompanhamento.

O que acontece nas primeiras semanas?

A cirurgia termina no centro cirúrgico, mas o tratamento ainda está longe de terminar.

As primeiras semanas são dedicadas principalmente à recuperação dos tecidos, controle do edema, adaptação à alimentação e acompanhamento da cicatrização.

Também podem existir alterações temporárias de sensibilidade, principalmente em regiões relacionadas aos nervos envolvidos na cirurgia mandibular ou maxilar.

A recuperação da sensibilidade varia de pessoa para pessoa e deve ser acompanhada durante as consultas de retorno.

Quando volto à rotina?

O retorno às atividades também depende do tipo de cirurgia, da profissão do paciente, da evolução do pós-operatório e das orientações da equipe.

Atividades físicas intensas, por exemplo, geralmente precisam ser suspensas por um período determinado pelo cirurgião.

Já atividades mais leves podem ser retomadas progressivamente conforme a recuperação.

É importante não comparar o próprio período de recuperação com o de outro paciente.

Cada organismo apresenta uma evolução diferente.

A cirurgia termina o tratamento?

Não necessariamente.

A cirurgia ortognática é uma etapa de um tratamento que geralmente envolve ortodontia antes e depois do procedimento.

Após a cirurgia, o ortodontista continua realizando os ajustes necessários para finalizar o encaixe dos dentes e alcançar a oclusão planejada.

Por isso, o resultado final depende não apenas da cirurgia, mas também da preparação ortodôntica, do planejamento, da execução cirúrgica e do acompanhamento posterior.

O mais importante é entender que cada cirurgia é planejada para um paciente

Não existe uma cirurgia ortognática exatamente igual à outra.

A quantidade de movimentação, as estruturas envolvidas, o tempo cirúrgico, o período de internação, a alimentação e o tempo de recuperação podem variar de acordo com cada caso.

Por isso, informações encontradas na internet devem servir para entender o processo, mas não substituem uma avaliação individual.

O objetivo do planejamento é justamente transformar um tratamento complexo em uma sequência de etapas previsíveis: diagnóstico, preparação ortodôntica, planejamento cirúrgico, cirurgia e acompanhamento pós-operatório.

Assim, o paciente chega ao dia da cirurgia sabendo não apenas o que será feito, mas também o que esperar durante a recuperação.

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Dr. Tiago Goulart

Cirurgião Bucomaxilofacial

Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial. Atendimento baseado em evidências científicas, com foco na saúde e qualidade de vida de cada paciente.

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