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Cirurgia Ortognática
8 min de leitura
26 de setembro de 2026

Cirurgia ortognática melhora a mastigação? Entenda quando isso pode acontecer

A cirurgia ortognática não tem como objetivo apenas modificar a aparência facial. Entenda a relação entre a posição dos maxilares e a função mastigatória, quais alterações podem interferir na mastigação e quando a cirurgia pode ajudar.

TG

Dr. Tiago Goulart

Cirurgião Bucomaxilofacial

Cirurgia ortognática melhora a mastigação? Entenda quando isso pode acontecer

Quando se fala em cirurgia ortognática, muitas pessoas pensam principalmente nas mudanças que podem acontecer no rosto. Mas a cirurgia não tem como objetivo apenas modificar a aparência facial.

Em pacientes com determinadas alterações dentofaciais, a posição da maxila e da mandíbula pode interferir diretamente na maneira como os dentes se encontram e, consequentemente, na função mastigatória.

Nesses casos, a cirurgia ortognática pode fazer parte de um tratamento que busca melhorar a relação entre as estruturas responsáveis pela mastigação.

Mas será que toda pessoa que tem uma mordida diferente precisa de cirurgia? E será que a cirurgia ortognática sempre melhora a mastigação?

A resposta depende do diagnóstico e das características de cada paciente.

O que a cirurgia ortognática tem a ver com a mastigação?

A mastigação depende da interação entre dentes, músculos, articulações temporomandibulares, maxila, mandíbula e sistema nervoso.

Para que os alimentos sejam triturados adequadamente, é necessário que exista uma relação funcional entre essas estruturas.

Quando existe uma discrepância importante entre a maxila e a mandíbula, os dentes podem não apresentar uma relação adequada durante o fechamento da boca.

Isso pode dificultar determinados movimentos mastigatórios e alterar a maneira como o paciente utiliza os dentes para triturar os alimentos.

A cirurgia ortognática atua justamente sobre uma das estruturas que participa dessa relação: as bases ósseas da face.

Ao reposicionar a maxila e/ou a mandíbula, o tratamento pode criar condições para que os dentes tenham uma relação mais adequada.

O problema pode estar além dos dentes

É importante entender uma diferença fundamental.

Nem toda alteração de mordida é causada por um problema exclusivamente dentário.

Em alguns pacientes, os dentes estão desalinhados ou mal posicionados dentro das arcadas. Nesses casos, o tratamento ortodôntico pode ser suficiente.

Em outros, existe uma discrepância entre as bases ósseas.

A maxila pode estar posicionada mais para trás ou mais para frente, a mandíbula pode apresentar uma posição inadequada ou pode existir uma alteração nos três planos do espaço.

Quando a origem do problema é predominantemente esquelética, movimentar apenas os dentes pode não ser suficiente para corrigir a relação entre as arcadas.

É nesse contexto que a cirurgia ortognática pode ser indicada.

Como uma alteração na mordida pode interferir na mastigação?

Imagine duas arcadas que não se encaixam adequadamente.

Dependendo do tipo de alteração, determinados dentes podem entrar em contato antes de outros, enquanto algumas regiões podem apresentar pouco ou nenhum contato durante o fechamento.

Isso pode modificar a distribuição das forças durante a mastigação.

Alguns pacientes também desenvolvem estratégias próprias para conseguir triturar os alimentos, adaptando os movimentos da mandíbula à sua condição.

Nem sempre essa adaptação significa que exista um problema grave. O organismo possui uma grande capacidade de adaptação.

Porém, em determinadas deformidades dentofaciais, a alteração da relação entre maxila e mandíbula pode representar uma limitação funcional significativa.

A cirurgia ortognática pode melhorar a eficiência mastigatória?

Em pacientes adequadamente selecionados, a correção da deformidade dentofacial pode proporcionar melhora da função mastigatória.

Isso ocorre porque a cirurgia permite reposicionar as bases ósseas e, em conjunto com o tratamento ortodôntico, estabelecer uma relação mais adequada entre os dentes.

Com uma relação oclusal mais favorável, o sistema mastigatório pode funcionar de maneira mais eficiente.

Mas é importante evitar uma promessa simplificada:

a cirurgia não transforma automaticamente a mastigação de todos os pacientes.

A resposta depende do problema existente antes da cirurgia, do tipo de correção realizada, da adaptação neuromuscular e de outros fatores individuais.

Quais alterações podem ter impacto na mastigação?

Algumas deformidades dentofaciais podem estar associadas a dificuldades funcionais, como:

  • mordida aberta;
  • discrepâncias importantes entre maxila e mandíbula;
  • prognatismo mandibular;
  • deficiência mandibular;
  • alterações verticais da face;
  • assimetrias esqueléticas;
  • alterações transversais;
  • e outras deformidades que comprometem a relação entre as arcadas.

Nem todos os pacientes com essas características apresentam dificuldade para mastigar.

Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na aparência da mordida.

É necessário avaliar o paciente como um todo.

Mordida aberta pode atrapalhar a mastigação?

A mordida aberta é um exemplo interessante.

Nesse tipo de alteração, determinados dentes superiores e inferiores não entram em contato quando o paciente fecha a boca.

Dependendo da extensão e da localização da mordida aberta, isso pode dificultar a apreensão e a trituração dos alimentos.

Em alguns casos, a alteração é predominantemente dentária e pode ser tratada ortodonticamente.

Em outros, existe um componente esquelético importante, tornando necessária uma abordagem ortodôntico-cirúrgica.

A indicação depende da causa e da gravidade da alteração.

E quando a mandíbula é muito para frente?

Nos casos de prognatismo mandibular, existe uma relação inadequada entre mandíbula e maxila.

Dependendo da intensidade da discrepância, essa alteração pode comprometer a relação entre os dentes superiores e inferiores.

O paciente pode desenvolver uma adaptação funcional ao longo dos anos, mas isso não significa que a relação entre as arcadas seja ideal.

Quando a discrepância é significativa e não pode ser adequadamente corrigida apenas pela ortodontia, a cirurgia pode reposicionar a mandíbula e/ou a maxila para estabelecer uma relação mais adequada.

E a assimetria facial?

A assimetria mandibular também pode interferir na função.

Quando os dois lados da face apresentam diferenças importantes na posição das estruturas ósseas, a relação entre os dentes também pode ser assimétrica.

Isso pode influenciar a forma como a mandíbula realiza seus movimentos durante a mastigação.

Nos casos em que a assimetria tem origem esquelética, a cirurgia ortognática pode fazer parte da correção.

O objetivo é estabelecer uma relação mais equilibrada entre as estruturas, respeitando as características anatômicas de cada paciente.

A cirurgia também melhora a força da mastigação?

Essa é uma questão um pouco diferente.

Melhorar a relação entre os dentes não significa necessariamente aumentar a força muscular da mastigação.

A cirurgia busca corrigir a posição das bases ósseas e melhorar as condições para que o sistema mastigatório funcione adequadamente.

Depois da cirurgia, existe um período de adaptação.

Durante a recuperação, o paciente passa por uma fase em que a alimentação é modificada e a função mastigatória fica temporariamente limitada.

Com a evolução do tratamento e a liberação progressiva da alimentação, o sistema vai se readaptando à nova relação entre as estruturas.

E os músculos da mastigação?

Os músculos também precisam se adaptar à nova posição da mandíbula.

Antes da cirurgia, o paciente pode ter desenvolvido padrões de movimento relacionados à sua anatomia.

Após o reposicionamento ósseo, esses padrões podem mudar.

Essa adaptação ocorre progressivamente e faz parte do processo de recuperação funcional.

Por isso, o resultado não deve ser avaliado imediatamente após a cirurgia.

O organismo precisa de tempo para se adaptar à nova posição das estruturas.

Cirurgia ortognática melhora a ATM?

Essa é uma dúvida muito frequente.

A relação entre cirurgia ortognática e articulação temporomandibular (ATM) é complexa.

A cirurgia modifica a posição dos maxilares e, consequentemente, pode alterar a relação funcional da mandíbula com as articulações.

Entretanto, não é correto afirmar que a cirurgia ortognática é um tratamento para todas as doenças da ATM.

Pacientes com dor, estalos, limitação de abertura ou outras alterações articulares precisam ser avaliados individualmente.

Quando existe uma doença articular associada à deformidade dentofacial, o planejamento deve levar essas informações em consideração.

Como saber se minha mastigação está sendo prejudicada?

Alguns sinais podem justificar uma avaliação mais detalhada:

  • dificuldade para triturar determinados alimentos;
  • necessidade de mastigar por muito tempo;
  • dificuldade para cortar alimentos com os dentes anteriores;
  • mordida aberta;
  • dificuldade de encaixe dos dentes;
  • desgaste dentário significativo;
  • sensação de que os dentes não se encontram adequadamente;
  • necessidade de adaptar constantemente a maneira de mastigar;
  • ou uma alteração importante na posição da mandíbula.

Esses sinais não significam automaticamente que exista indicação de cirurgia.

Eles apenas mostram que pode ser interessante investigar a relação entre dentes, maxila e mandíbula.

Como é feita essa avaliação?

A avaliação começa pela consulta clínica.

O cirurgião bucomaxilofacial e o ortodontista analisam a mordida, a posição dos dentes, a relação entre as arcadas e as proporções faciais.

Também podem ser solicitados exames de imagem e documentação ortodôntica.

Em determinados casos, o planejamento tridimensional permite analisar a posição das estruturas ósseas e simular as movimentações necessárias.

O objetivo é entender onde está o problema e qual tratamento pode corrigi-lo, em vez de simplesmente decidir pela cirurgia com base na aparência.

A ortodontia continua sendo importante

Mesmo quando existe indicação de cirurgia ortognática, a cirurgia não substitui o tratamento ortodôntico.

Os dois tratamentos possuem funções diferentes e complementares.

A cirurgia reposiciona as bases ósseas.

A ortodontia organiza e coordena os dentes dentro dessas novas relações.

Essa integração é fundamental para que, ao final do tratamento, exista uma relação adequada entre os dentes superiores e inferiores.

O objetivo vai além de “encaixar os dentes”

Uma boa relação entre os dentes é importante, mas o tratamento não deve ser pensado apenas como uma questão mecânica.

O objetivo é buscar um equilíbrio entre:

  • função mastigatória;
  • relação entre os dentes;
  • posição dos maxilares;
  • articulações;
  • musculatura;
  • estabilidade;
  • saúde dos tecidos;
  • e harmonia facial.

Por isso, a indicação da cirurgia ortognática deve ser individualizada.

Afinal, cirurgia ortognática melhora a mastigação?

Pode melhorar, especialmente quando existe uma deformidade dentofacial que interfere na relação entre as arcadas e na função mastigatória.

Ao corrigir a posição da maxila e/ou da mandíbula e coordenar essa mudança com o tratamento ortodôntico, o tratamento pode proporcionar condições mais favoráveis para a função.

Mas não é possível afirmar que todos os pacientes terão o mesmo ganho funcional.

A mastigação é resultado da interação de diversas estruturas, e cada paciente apresenta uma anatomia, uma adaptação muscular e uma condição dentária diferentes.

Por isso, o primeiro passo não é decidir se a cirurgia é necessária.

É entender qual é a causa da alteração e quais possibilidades de tratamento existem para aquele caso.

Quando procurar uma avaliação?

Se você percebe que sua mordida não encaixa adequadamente, tem dificuldade para mastigar determinados alimentos, apresenta mordida aberta, mandíbula muito para frente ou para trás, assimetria facial ou outras alterações importantes na relação entre os dentes e os maxilares, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer a origem do problema.

A partir do diagnóstico e dos exames necessários, é possível determinar se o tratamento pode ser realizado apenas com ortodontia ou se a cirurgia ortognática deve fazer parte do planejamento.

O objetivo da cirurgia não é apenas mudar a posição dos maxilares. É criar condições para uma relação mais adequada entre estrutura, função e estética, respeitando as características de cada paciente.

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Dr. Tiago Goulart

Cirurgião Bucomaxilofacial

Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial. Atendimento baseado em evidências científicas, com foco na saúde e qualidade de vida de cada paciente.

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